Quando a maternidade transformou meu olhar sobre a educação

Tenho 15 anos de experiência em docência na Educação Infantil e também no Ensino Superior. Mas foi a maternidade atípica que transformou completamente o meu olhar sobre o aprendizado e me fez evoluir muito na área da educação.

Foi a partir dessa experiência que comecei a olhar para o aprendizado de uma maneira diferente, não apenas a partir daquilo que estudamos, mas também daquilo que vivenciamos diariamente. A maternidade atípica me colocou diante de desafios que precisei aprender a compreender na prática.

O diagnóstico, os erros, os acertos, as dúvidas e todas as situações que precisei viver na realidade do maternar atípico fizeram parte desse processo. Esse desafio me fez procurar aprender cada vez mais sobre o comportamento atípico e sobre como lidar com a diversidade presente nos diferentes transtornos do neurodesenvolvimento.

Fui em busca de respostas. E também de apoio.

Aprender para compreender

Ao longo desse caminho, procurei formação e conhecimento que pudessem me dar mais ferramentas para compreender os comportamentos e lidar com situações desafiadoras relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista.

Entre as formações realizadas estão:

  • Inclusão Escolar — Norteando Condutas, curso realizado com o professor Facion, psicólogo, pós-doutorado e especialista em comportamento do Espectro Autista.
  • Aplicação de ABA Naturalista e Técnicas de Treinamento Parental, curso realizado com a neuropsicóloga Mayra Gaiato.
  • PEI e Leis da Educação Especial, formação sobre Plano Educacional Individualizado, realizada com a psicopedagoga Talita Pazeto.
  • Adaptação Escolar — PEI e PAEE, curso realizado com a psicopedagoga Priscila Bacile, com foco em adaptação escolar, Plano Educacional Individualizado e Plano de Atendimento Educacional Especializado.

Mas estudar não significou encontrar uma fórmula pronta. Significou aprender a observar, aprender a tentar e compreender que aquilo que funciona em uma situação pode não funcionar em outra. E que, muitas vezes, é necessário mudar a rota.

“O segredo é justamente aprender a mudar a rota e não se perder no caminho.”
— Gracietti Santana de Oliveira

A realidade do maternar atípico

Tenho dois filhos neurotípicos e dois meninos autistas. Um deles já é adolescente, tem 15 anos, é autista nível 1 de suporte e tem TDAH. O outro é autista nível 3 de suporte, não oralizado e, aos 10 anos, ainda utilizava fraldas.

Essa realidade me levou a estudar continuamente manejos comportamentais e adaptações de atividades para o dia a dia, as chamadas Atividades de Vida Diária — AVD, como são conhecidas nas clínicas terapêuticas.

São atividades que fazem parte da rotina e que podem representar grandes desafios para algumas pessoas. Foi vivendo essas experiências que compreendi ainda mais que a evolução nem sempre acontece de maneira rápida ou evidente. Às vezes, aquilo que parece pouco para quem observa de fora representa uma grande conquista para uma família.

Tudo pode ser muito sutil. E é justamente por isso que precisamos aprender a observar.

Sem romantizar

Quero mostrar às famílias e aos professores que é possível encarar o autismo sem romantismo, sem falas pejorativas e sem capacitismo, reconhecendo, sim, o peso da rotina e os dias difíceis, mas também mostrando que, com a prática diária e as ferramentas certas, os dias podem ficar mais leves e a evolução pode acontecer.

Nem sempre rapidamente. Nem sempre da maneira que imaginamos. Mas aos poucos e com persistência.

O maternar não é simples. Não existe manual de instruções para nenhuma família, seja ela típica ou atípica. Mas existem muitas formas de troca e de apoio que podem ajudar a aliviar o peso dos desafios do dia a dia.

Depois do diagnóstico

Neste trabalho, quero mostrar às famílias e aos professores que é possível ter esperança e ajudar seus filhos, suas filhas e seus alunos depois do diagnóstico. Mas com realidade.

Sem essa ideia de que, se você fizer isso ou aquilo, tudo vai melhorar como mágica. Não é assim que funciona, porque somos todos diversos. Cada criança é diferente e cada família tem sua própria realidade e suas próprias diferenças.

Por isso, existem maneiras diversas de buscar apoio, e elas precisam considerar as possibilidades de cada família. Com uma boa orientação e muita observação, podemos aprender diferentes formas de lidar com a diversidade.

Não é mágica. E nem tudo será acertado de primeira.

Talvez o segredo esteja justamente em aprender a mudar a rota e não se perder no caminho.

Um caminho que continua

Este é apenas o começo de uma caminhada que continua todos os dias. Uma caminhada feita de estudo, experiência, erros, acertos, observação e aprendizado.

Quero compartilhar aqui aquilo que aprendi e aquilo que ainda estou aprendendo. Quero conversar com famílias e professores sobre autismo, neurodiversidade, inclusão, comportamento, aprendizagem e as pequenas conquistas que fazem parte da vida cotidiana.

Vamos nessa juntos. Não desistir de fazer do mundo um lugar mais inclusivo e melhor para todos aqueles que precisam de reforços e apoio.

Com amor, paciência e ferramentas, o aprendizado acontece sempre.

É só começar.

Gracietti Santana de Oliveira


Sobre a autora

Graciete Santana de Oliveira é professora e educadora, formada em Comércio Exterior pela Universidade Paulista — UNIP e pós-graduada em Novas Tecnologias para a Educação. Possui 15 anos de experiência na docência, com atuação na Educação Infantil e no Ensino Superior.

A partir da experiência da maternidade atípica, aprofundou sua formação em educação inclusiva, autismo, neurodiversidade, comportamento, PEI, PAEE e estratégias de apoio às famílias e à escola.

No Mundo Reiki, compartilha experiências e conhecimentos sobre educação inclusiva, aprendizagem, neurodiversidade e os desafios cotidianos vividos por famílias e educadores.

O Reiki continua.

Cada leitura é um convite para aprofundar a compreensão do Reiki como método, prática, consciência e cuidado integral.

Mundo Reiki é uma biblioteca editorial dedicada ao estudo, à prática e à difusão responsável do Reiki e das práticas integrativas.

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