Setembro Amarelo: como o terapeuta reikiano pode contribuir para a valorização da vida
Quando chega o mês de setembro, somos convidados a olhar com mais atenção para a valorização da vida. No Brasil, o Setembro Amarelo também dialoga com as ações de prevenção ao suicídio no SUS (Sistema Único de Saúde) e com a necessidade de ampliar a escuta, o acolhimento e o cuidado com as pessoas que estão em sofrimento emocional.
E nós, terapeutas reikianos, também podemos contribuir dentro dos limites da nossa atuação.
É importante compreender que o Reiki não substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico quando eles são necessários. Mas ele pode ser utilizado como uma prática complementar de cuidado e bem-estar, oferecendo um momento de pausa, acolhimento, presença e atenção à pessoa.

Quando realizamos uma sessão presencial, existe também a experiência humana do cuidado. A pessoa pode sentir que alguém está ali, presente, dedicando um tempo exclusivamente para ela. O toque, quando utilizado dentro da técnica e com consentimento, ou a aproximação das mãos pode contribuir para que aquele momento seja vivido como um espaço de conforto e acolhimento.
Eu vivi experiências que marcaram profundamente a minha trajetória como terapeuta reikiana.
Certa vez, acompanhei uma cliente presencialmente que estava enfrentando um sofrimento depressivo intenso. Ela permanecia na cama e tinha dificuldades até mesmo para realizar os próprios cuidados de higiene. Começamos um acompanhamento complementar com sessões frequentes de Reiki. Ao longo dos dias, fui percebendo pequenas mudanças. No terceiro dia, ela conseguiu se levantar. Depois de aproximadamente uma semana, conseguiu sair de casa e ir ao mercado.
Eu considero cada pequeno movimento em direção à vida uma grande vitória.
Não estou dizendo que o Reiki, isoladamente, é responsável pela recuperação de uma pessoa com depressão. Cada ser humano possui uma história, uma rede de apoio e necessidades específicas. Mas, na minha experiência, percebi como a constância do cuidado, a presença e o espaço terapêutico complementar podem fazer parte de um processo significativo.
No atendimento à distância, eu costumo criar um espaço de presença.
Abro a câmera e permaneço com a pessoa durante a sessão. Peço que ela esteja em um ambiente confortável, deitada ou sentada, afastando-se por alguns instantes das distrações do dia.
Eu convido a pessoa a colocar as próprias mãos sobre determinados pontos do corpo, acompanhando a sessão de forma consciente. Dessa maneira, ela também participa ativamente daquele momento de autocuidado, percebendo seu corpo, sua respiração e suas sensações.
Essa experiência pode ser muito acolhedora.

Tive também uma cliente que, na primeira sessão, não conseguia sequer abrir a janela. Ela permanecia em um ambiente completamente escuro e tinha dificuldade até mesmo de permitir que eu visse seu rosto durante o atendimento.
Aos poucos, respeitando o tempo dela, fomos criando um espaço de confiança.
Comecei a convidá-la, quando se sentisse confortável, a abrir um pouco a janela, permitir a entrada da luz.
São pequenos movimentos, mas que, para quem está vivendo um sofrimento profundo, podem representar passos muito importantes.
Como psicanalista, tenho uma formação específica para o manejo da escuta clínica. Mas também ensino aos meus alunos de Reiki algo muito importante: o terapeuta reikiano não precisa, e não deve, tentar ocupar o lugar de um psicólogo, psicanalista ou médico quando não possui essa formação.
Mas ele pode acolher.
Pode escutar.
Pode estar presente.
Pode perguntar, com respeito:
“Como você está se sentindo?”
Muitas vezes, quando uma pessoa fala, ela também começa a se escutar.
Aquilo que estava confuso, guardado ou até inconsciente pode começar a aparecer através das palavras. Às vezes, durante a própria fala, a pessoa percebe algo que ainda não havia conseguido nomear.
O papel do terapeuta reikiano não é interpretar clinicamente aquilo que não está habilitado a interpretar. É oferecer uma presença ética, acolhedora e respeitosa e, quando necessário, reconhecer que aquela pessoa precisa de outro tipo de acompanhamento.
Dentro das terapias integrativas, existem diferentes sistemas tradicionais que relacionam emoções, corpo e processos de equilíbrio.
A Medicina Tradicional Chinesa, por exemplo, possui uma visão própria sobre as relações entre aspectos emocionais e determinados sistemas do organismo.
Já as tradições indianas trabalham, dentro de seus próprios referenciais, com centros energéticos conhecidos como chakras e suas associações simbólicas e corporais.
Também existem autores que trabalham com interpretações sobre emoções, crenças e corpo. Um exemplo conhecido é Louise Hay, autora de Você Pode Curar a Sua Vida, que apresenta associações simbólicas e reflexões sobre padrões emocionais e físicos.
Essas referências podem ser utilizadas como instrumentos de reflexão.

Outra possibilidade interessante é trabalhar com recursos complementares de autocuidado.
Eu também ensino e trabalho com sistemas florais, como os Florais de Bach, Saint Germain e Florais de Minas. Dentro de uma proposta integrativa, esses recursos podem fazer parte de uma rotina de cuidado e reflexão durante o mês, entre as sessões de Reiki.
Além disso, no atendimento presencial, podemos criar uma experiência terapêutica utilizando outros recursos complementares, de acordo com a formação e habilitação de cada profissional, como: práticas meditativas, cromoterapia, aromaterapia, musicoterapia e outras terapias integrativas.
Desde os primeiros níveis de formação em Reiki, considero importante ensinar práticas de meditação e presença.
Mikao Usui deixou princípios e práticas que inspiram uma postura de atenção, disciplina interior e desenvolvimento pessoal.
Ao longo da formação, esse conhecimento pode ser aprofundado.
No nível 3, muitos praticantes também desenvolvem a capacidade de conduzir práticas meditativas e encontros coletivos de Reiki, inclusive em campanhas como o Setembro Amarelo.
No Brasil, é comum existirem grupos e encontros de Reiki oferecidos gratuitamente ou em formato de troca solidária, como a doação de alimentos. Esses espaços podem ser uma oportunidade para que as pessoas conheçam a prática e tenham um primeiro contato com momentos de pausa, relaxamento e cuidado.
Foi assim que eu conheci o Reiki.
E foi assim que começou a minha paixão por essa técnica.
A partir daquele primeiro contato, busquei minhas formações e passei a levar o Reiki para diferentes contextos: para as pessoas, para os animais, para os ambientes e para a minha própria vida.
Eu acredito que, como terapeutas reikianos, podemos contribuir para a valorização da vida.
O Setembro Amarelo nos lembra da importância de olhar para a vida.
E lembrar a essa pessoa que, mesmo quando ela não consegue enxergar uma saída, ela não precisa caminhar sozinha.
Pode ser o momento em que alguém finalmente para, respira, fala, se escuta e começa, pouco a pouco, a dar um novo passo em direção à própria vida.
Sobre a autora
Jailma Moraes é pós-graduada em Terapias Integrativas, com extensão universitária em Medicina Tradicional Chinesa e Massoterapia. Atua como terapeuta desde 2014, dedicando sua trajetória ao cuidado integral, à formação profissional e à difusão das práticas integrativas.
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