Por que tudo me irrita?
Quando a irritação parece dizer mais do que simplesmente falta de paciência
Por Rosana Guiné — Niterói, RJ, Brasil
Tem dias em que parece que o mundo resolveu testar a nossa paciência.
O barulho incomoda.
A demora irrita.
Uma pergunta simples parece demais.
Até aquela situação que normalmente não incomodaria começa a tirar você do sério.
E aí vem aquela pergunta:
Por que tudo está me irritando tanto?

Quando alguma coisa não está fluindo
Na Medicina Chinesa, as emoções também fazem parte da leitura do organismo. E, quando falamos de irritabilidade, frustração, impaciência e raiva, existe um órgão que ocupa um lugar importante nessa história: o Fígado.
Isso não significa que toda irritação seja simplesmente “problema no Fígado”. A visão da Medicina Chinesa é mais ampla.
Uma das funções atribuídas ao Fígado é promover o livre fluxo do Qi, isto é, o movimento e a circulação adequada da energia pelo organismo. Quando esse movimento fica comprometido, isso pode estar associado a manifestações como tensão, frustração, irritabilidade e uma sensação de estar “travado”.
É como se o Qi precisasse circular, mas encontrasse obstáculos pelo caminho. E talvez essa imagem ajude a entender por que, na Medicina Chinesa, a irritabilidade e a frustração podem estar relacionadas à chamada estagnação do Qi do Fígado.
É como se o Qi precisasse circular, mas encontrasse obstáculos pelo caminho.
Mas o que fazer quando tudo parece irritar?
Se a ideia é favorecer o movimento do Qi, algumas atitudes simples podem ajudar.
Movimente o corpo. Uma caminhada, um alongamento ou qualquer atividade que você goste pode ser uma boa maneira de sair da imobilidade física e mental.
Faça pausas. Respirar profundamente, desacelerar por alguns minutos e interromper uma rotina de tensão constante também pode fazer diferença.
Cuide do sono. Dormir mal repetidamente pode deixar qualquer pessoa mais reativa e sem paciência.
E a alimentação também pode participar desse cuidado. Na visão da Medicina Chinesa, vale favorecer refeições mais leves e regulares, com verduras e alimentos frescos, e incluir, com moderação, alimentos de sabor naturalmente ácido. Também vale observar o excesso de álcool, frituras, alimentos muito gordurosos e estimulantes, especialmente quando já existe muita agitação ou irritabilidade.
Não se trata de proibir alimentos ou seguir uma lista rígida. A ideia é observar o conjunto e perceber como seu corpo responde.

Quando a irritabilidade começa a interferir
E quando a irritabilidade se torna frequente, intensa ou começa a interferir na vida cotidiana?
É aí que entra a avaliação individual.
A acupuntura pode ajudar a favorecer o equilíbrio e o livre fluxo do Qi, mas o tratamento não é escolhido simplesmente porque alguém está “sem paciência”.
Duas pessoas podem chegar dizendo exatamente a mesma coisa, “estou muito irritada”, e receber tratamentos completamente diferentes.
Porque, na Medicina Chinesa, não tratamos apenas a irritabilidade. Procuramos compreender a pessoa que está irritada.
- Como está o sono?
- A digestão?
- A energia?
- Há tensão?
- Mudanças no ciclo?
- Sensação de calor?
- Outros sintomas que apareceram junto?
É o conjunto que conta a história.
O que mais mudou em você ultimamente?
Então, da próxima vez que você pensar “por que tudo está me irritando?”, vale a pena olhar um pouco além da própria irritação.
O que mais mudou em você ultimamente?
Às vezes, o “estou sem paciência” pode ser apenas a maneira que o corpo encontrou de mostrar que alguma coisa não está fluindo tão bem quanto antes.
E é justamente nesse momento que uma avaliação pela Medicina Chinesa pode fazer diferença.
A partir dela, a acupuntura busca compreender o que está por trás daquela irritabilidade e quais outros sinais estão presentes. A escolha dos pontos não é feita simplesmente para “acalmar a pessoa”, mas para atuar sobre o padrão energético identificado e ajudar o organismo a recuperar seu equilíbrio.
Porque, na Medicina Chinesa, a irritabilidade é apenas uma parte da história. O nosso trabalho é olhar para a história inteira.

Sobre a autora
Rosana Guiné é acupunturista, homeopata, assistente social e terapeuta integrativa. Há cerca de duas décadas acompanha pessoas em seus processos de cuidado, buscando compreender não apenas os sintomas que apresentam, mas também a história que o corpo procura contar.
Sua trajetória está profundamente ligada à Medicina Tradicional Chinesa e à busca por traduzir seus conceitos em uma linguagem acessível, sem perder a profundidade dessa tradição.
Conheça mais sobre Rosana Guiné e seus artigos na Biblioteca Mundo Reiki.
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