Religião ou Ciência? O Reiki está nos hospitais — e no centro de um conflito que ninguém quer encarar
Religião ou Ciência? O Reiki está nos hospitais — e no centro de um conflito que ninguém quer encarar

Se o Reiki não é ciência… nem religião…
por que está dentro de alguns dos principais hospitais do Brasil?
Essa é a pergunta que realmente importa.
Durante muito tempo, o debate ficou preso em um lugar confortável: acreditar ou desacreditar. Classificar ou descartar. Mas a realidade mudou — e seguiu em frente sem esperar consenso.
Hoje, o Reiki está presente em instituições como o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital Israelita Albert Einstein, o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP e o Centro Infantil Boldrini.
Também faz parte do Sistema Único de Saúde por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.
Ou seja: não estamos mais falando de uma ideia.
Estamos falando de prática.
Dentro desses espaços, o Reiki não substitui tratamentos médicos. Ele atua como prática complementar, integrando propostas de cuidado que buscam reduzir dor, ansiedade, estresse e melhorar o bem-estar geral.
E tudo isso dentro de ambientes que operam com responsabilidade clínica, protocolos e equipes multidisciplinares.
Mas existe um ponto que quase sempre é evitado:
A relação com a religião.
No Espiritismo, por exemplo, o Reiki costuma ser compreendido como uma forma de manipulação energética, com semelhanças ao passe espírita.
Ambos utilizam a imposição de mãos.
Ambos buscam equilíbrio energético.
Mas seguem caminhos diferentes.
No passe, há a participação de espíritos desencarnados no processo.
No Reiki, a prática se baseia na canalização da energia universal.
São próximos na forma.
Distintos na explicação.
Já em outras tradições religiosas, o posicionamento é mais direto.
A Igreja Católica considera o Reiki incompatível com sua doutrina, apontando ausência de base científica e possíveis conflitos teológicos. Parte significativa das correntes evangélicas também rejeita a prática, associando-a a correntes espiritualistas ou à chamada “Nova Era”.
Ou seja:
Enquanto alguns aproximam…
outros rejeitam completamente.
E isso revela algo importante:
O Reiki não gera consenso.
Ele gera tensão.
Entre ciência e experiência.
Entre fé e prática.
Entre aceitação e resistência.
E, ainda assim, ele continua avançando.
Silenciosamente.
Dentro de hospitais.
Dentro do SUS.
Dentro de programas de humanização e cuidado ampliado.
A Organização Mundial da Saúde já reconhece, há anos, a importância das práticas integrativas como complemento aos sistemas de saúde, ampliando o olhar sobre o que significa cuidar.
E o Brasil decidiu colocar isso em prática.
Então talvez seja hora de atualizar a pergunta.
Não mais: “Reiki é religião ou ciência?”
Mas sim:
Por que algo que já está presente em hospitais de ponta, políticas públicas e diferentes visões espirituais — mesmo que conflitantes — ainda encontra tanta resistência?
Talvez o Reiki não esteja tentando provar nada.
Talvez ele esteja fazendo algo ainda mais incômodo:
Funcionando… mesmo sem caber perfeitamente nas explicações que conhecemos.
E se isso for verdade…
a discussão não é sobre o Reiki.
É sobre os limites daquilo que estamos dispostos a aceitar como cuidado.
Referências e Leituras Complementares
- Ministério da Saúde do Brasil.
Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). - Organização Mundial da Saúde.
Traditional, Complementary and Integrative Medicine. - Hospital Sírio-Libanês.
Núcleo de Cuidados Integrativos. - Hospital Israelita Albert Einstein.
Práticas Integrativas em Saúde. - Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Abordagens terapêuticas complementares. - Centro Infantil Boldrini.
Programas de humanização e terapias complementares. - João Magalhães.
Estudos e conteúdos sobre Reiki e espiritualidade. - United States Conference of Catholic Bishops.
Guidelines for Evaluating Reiki as an Alternative Therapy. - Associação Médico-Espírita do Brasil.
Estudos sobre imposição de mãos e saúde.
Autor
Ruy Fernando Morelli é Mestre em Reiki e fundador do Mundo Reiki, portal dedicado ao estudo estruturado do Sistema Usui.
Seu trabalho busca integrar história, método, ética e prática, contribuindo para uma compreensão mais consistente do Reiki como caminho de desenvolvimento pessoal.
O Reiki continua
Na prática. Na presença. Na forma como escolhemos viver, cuidar e perceber o mundo.
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